Esta é a newsletter do Círculo Filosófico de Estudos Clássicos (CFEC), dedicada à Filosofia, Mitologia e Vida de Estudos, sempre de forma leve e inspiradora, promovendo o seu desenvolvimento pessoal.

Uma vida profícua de estudos requer o cultivo de uma biblioteca individual.

Contemplar uma estante repleta de livros, organizados e preenchendo cada prateleira, é um prazer quase indescritível para quem valoriza uma existência guiada pelo saber.

Hoje, a tecnologia nos oferece um privilégio único: a internet.

Com poucos cliques, encontramos as obras que desejamos.

A satisfação ao adquirir um livro é grande, mas ela se transforma em um verdadeiro deleite ao recebê-lo e abrir sua embalagem.

O primeiro toque, o cheiro das páginas, a folheada inicial, e finalmente a colocação do livro na estante… Todo esse processo evoca um profundo prazer e um sentimento de realização.

Nesse ponto, alguém pode dizer: “Com dinheiro, isso é fácil”.

Deixe-me contar um pouco da minha história.

No início, quando eu não tinha emprego, nem recursos financeiros, e a internet ainda não fazia parte de nossas vidas, tudo era muito diferente.

⚠ Com o início do ano letivo de 2025, o ritmo de produção desta newsletter será reduzido, mas continuará sendo instrutiva e inspiradora. Fique de olho nos nossos e-mails!

Uma Vida Completamente Offline

Até meados da década de 90, viver sem internet era a única realidade possível.

Qualquer coisa que precisássemos – desde livros até itens básicos – era encontrada exclusivamente em lojas físicas. Não havia atalhos digitais, apenas as ruas, as vitrines e o boca a boca.

Naquela época, o simples ato de comprar um livro exigia esforço. Eu precisava encontrar uma livraria ou um sebo, torcendo para que tivessem o título que eu procurava.

E, quando finalmente o encontrava, não havia comparação de preços em sites ou aplicativos; cada aquisição era fruto de uma verdadeira caçada.

Visitar livrarias e sebos era quase um ritual.

O cheiro característico dos livros usados, as prateleiras lotadas e a conversa com vendedores que, muitas vezes, sabiam mais sobre literatura do que a maioria dos leitores, faziam parte da experiência.

Em uma dessas visitas, encontrei quase tudo o que precisava. Mas, ainda assim, sabia que os livros não vinham de graça. Foi então que percebi: eu precisava encontrar uma maneira de financiar minha paixão pelos estudos.

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.

- Albert Einstein

Vendia Cartão Telefônico para Comprar Livros

Foi conversando com um vizinho, que trabalhava revendendo cartões telefônicos, que surgiu a ideia de começar meu pequeno “negócio”.

Ele me explicou como funcionava: comprava caixas fechadas em grandes quantidades e revendia para estabelecimentos que precisavam abastecer seus clientes.

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Naquele tempo, celulares ainda eram raros, e o telefone fixo não estava presente em todas as casas. Os “orelhões” eram indispensáveis, e a fila para usá-los fazia parte do dia a dia.

Com o pouco dinheiro que eu tinha, comprei o mínimo necessário para começar.

No entanto, logo nos primeiros dias, enfrentei um obstáculo desanimador: quase todos os lojistas já compravam os cartões de outros fornecedores. Saí de casa cheio de expectativa e voltei frustrado, com quase nada vendido.

Mas eu não desisti. A cada dia, traçava uma rota diferente. Percorria farmácias, açougues, padarias, postos de gasolina, bares e restaurantes. Aos poucos, fui aprendendo a abordar os clientes e descobrindo onde havia demanda.

O que antes parecia um desafio intransponível transformou-se em um ritmo de trabalho que comecei a dominar.

Passei a comprar quantidades maiores de cartões e fazia todo o trabalho a pé. Sem transporte próprio, caminhar de loja em loja era a única opção.

As minhas rotas cobriam dois ou três municípios da Baixada Fluminense, como São João de Meriti, Belford Roxo e Nilópolis. Saía de casa cedo, carregando uma maleta cheia de cartões, e só voltava à tarde.

Quando os cartões acabavam, fazia um lanche rápido e pegava o ônibus de volta para casa. Chegando lá, tirava o tênis, tomava banho e me jogava na cama, exausto. As dores nas pernas e nas costas eram companheiras constantes, mas, ao final de cada dia, eu sabia que cada esforço estava me aproximando de um objetivo maior.

Depois de descansar, jantava e estudava até a meia-noite, comprometido com minha rotina de estudos.

No final de 1996 fiz o concurso público para a Casa da Moeda do Brasil e, em maio de 1997, fui convocado. Permaneci na empresa por 20 anos.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

– Vidal Sassoon

O Preço do Esforço e a Conquista dos Objetivos

Essa experiência me ensinou que, para alcançar qualquer objetivo (seja no estudo, no trabalho ou na vida pessoal), é necessário esforço e persistência.

As conquistas raramente vêm de forma fácil ou imediata. O que importa é a determinação em continuar, mesmo diante das dificuldades.

Se eu tivesse desistido no meu primeiro dia como vendedor de cartões, provavelmente nunca teria construído minha biblioteca. Cada passo que dei nas ruas foi um pequeno tijolo na construção de algo muito maior: minha paixão pelo conhecimento e meu compromisso com o aprendizado.

Essa lição vale para todas as áreas da vida.

Se você deseja algo, precisa estar disposto a sair da sua zona de conforto. Pode ser um curso, um novo emprego ou até mesmo um projeto pessoal.

Portanto, seja qual for seu objetivo, não desista. Encare as dificuldades como parte do processo e celebre cada pequena vitória ao longo do caminho.

Afinal, o valor de uma conquista está no caminho trilhado para alcançá-la.

Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.

- Leonardo da Vinci

Receba o meu fraterno abraço e até a edição #005!

Daniél Fidélis :: | www.cfec.com.br

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