
Desde que o homem aprendeu a contemplar o céu noturno, a pergunta pela origem do mundo passou a habitar o centro de sua vida interior. Não se trata de mera curiosidade, mas de uma inquietação da razão humana.
Perguntar de onde tudo veio é, ao mesmo tempo, perguntar o que somos, onde estamos e como devemos viver.
As cosmogonias antigas surgem nesse horizonte como respostas ordenadoras. Elas não pretendem satisfazer a imaginação ociosa, mas oferecer uma visão inteligível do real. Por meio de imagens simbólicas, esses relatos organizam o caos percebido, instauram hierarquias e revelam uma confiança fundamental na inteligibilidade do mundo.
Ao contrário do preconceito moderno, mito não significa irracionalidade. Nas culturas tradicionais, mito e razão cooperam. O mito ensina onde o discurso abstrato ainda não alcança, enquanto a razão reconhece, nas narrativas, princípios universais.
Essa união forma a base de uma educação que cultiva simultaneamente a inteligência e a imaginação.
Compreender essas narrativas é reencontrar um momento decisivo da história do pensamento humano. É retornar a um tempo em que o homem não se via separado do cosmos, mas inserido nele como parte responsável e consciente.
Estudar as cosmogonias antigas, portanto, não é olhar para trás por nostalgia, mas recuperar fundamentos que ainda iluminam a formação intelectual e moral no presente.
