
Existe uma pressa que permeia a nossa época e se disfarça de eficiência. Contamos os livros que lemos como quem soma quilômetros percorridos, empilhamos títulos em listas de metas e sentimos um certo orgulho ao anunciar que devoramos dezenas de livros em um ano. A quantidade virou medida da cultura, e a velocidade, sinal de inteligência.
A tradição clássica, no entanto, ensinava o contrário. Para os pensadores gregos e romanos, e mais tarde para os monges dos mosteiros medievais, o valor de uma leitura nunca esteve no número de páginas atravessadas pelos olhos, mas na profundidade com que cada página atravessava a alma. Recuperar a leitura lenta é recuperar uma forma antiga de sabedoria, hoje quase esquecida, que promete não mais informação, e sim formação verdadeira.
