
Não é raro encontrar quem compre vários livros num só impulso. Naquela primeira noite, lê cinquenta páginas com empolgação, sublinha frases inteiras e promete a si mesmo que enfim começará a formação intelectual tantas vezes adiada.
Três dias depois, os volumes ficam empilhados sobre a mesa, à espera de uma disposição que não retorna. Quando o entusiasmo esfria, o estudo cessa com ele.
Casos assim se repetem com frequência que deveria nos inquietar. O erro não está na falta de talento nem de tempo, mas na convicção, raramente examinada, de que o estudo nasce da inspiração.
A inspiração é uma centelha bela e passageira. O que sustenta uma formação ao longo de décadas não é o fervor de uma única noite, mas a rotina de estudos edificada com paciência. Este artigo recupera uma ideia antiga e quase esquecida, a de que a disciplina é, antes de tudo, um modo amoroso de ordenar a própria vida.
