Existem pessoas que só evoluem no silêncio, como bibliotecas ocultas entre montanhas, onde o ruído do mundo não alcança as suas páginas.

Não se trata de temperamento frágil nem de aversão à gente, mas de uma disposição interior rara, que reconhece no recolhimento o clima próprio do pensamento sério e da contemplação ordenada.

A vida eremítica de estudos nasce dessa percepção consciente. Ela não é fuga da realidade, mas decisão refletida de um modo de habitar o tempo, no qual a atenção não é continuamente saqueada por estímulos externos.

O silêncio, aqui, não é ausência, mas presença concentrada, condição para que a inteligência trabalhe com profundidade e a alma recupere unidade.

Vivemos sob o império da dispersão contínua. Tudo chama, tudo exige, tudo fragmenta. Nesse cenário, refletir sobre a solidão como forma legítima de vida intelectual torna-se um exercício de sanidade. Não como norma moral, mas como possibilidade real para aqueles que compreendem que pensar bem exige demora, fidelidade a rotinas e certa distância do fluxo incessante do mundo.

Convém afirmar com clareza. Esse caminho não é para todos, muito menos obrigatório, e isso não diminui ninguém. Assim como há vocações para a vida pública, há espíritos moldados para o recolhimento.

Reconhecer essa diversidade é sinal de maturidade filosófica e respeito pela ordem natural das almas.

A reflexão que se segue busca iluminar esse chamado específico, sem idealizações nem imposições, situando a vida eremítica de estudos como uma entre as muitas formas nobres de conduzir a própria existência.

Confesso que foi muito agradável trabalhar neste artigo, pois optei por conduzir minha vida de modo parcialmente eremítico.

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