Há palavras que o tempo gastou como gasta as moedas, apagando-lhes a face até que ninguém mais reconheça o seu valor. Virtude é uma delas. Pronunciada hoje, soa antiquada, quase ingênua, como vestígio de um vocabulário que pertenceu a outros séculos e a outros homens.

No entanto, foi precisamente em torno dessa palavra que os antigos pensadores edificaram a sua compreensão da alma humana e do que significa viver bem. Os gregos a chamavam areté, a excelência própria de cada coisa, aquilo que faz a faca cortar, o cavalo correr e o ser humano florescer.

Os latinos a nomearam virtus, força viril da alma capaz de ordenar a vida inteira.

Quatro dessas forças foram consideradas fundamentais, sustentando todas as demais como as colunas sustentam o templo. São as virtudes cardeais, e reencontrá-las é redescobrir o caminho perdido rumo à nobreza interior que sempre buscamos sem saber nomear.

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